terça-feira, 27 de março de 2012






Capítulo X: Um novo destino (Tiago)



Metal e pessoas pareciam passar voando por mim.
Um avião inteiro havia acabado de desmontar em pleno ar 
e as pessoas caíam como chuva.
Lá em baixo, o oceano e uma coluna 
de água subindo em direção às pessoas.
Gabriel!


      _ Thiago!! Thiago!! - a voz de Peter, que parecia chegar de longe - Acorda logo Thiago!
      _ Ele não acorda. – era a voz de Ethan – ACORDA LOGO CARA!
     _ Parem de gritar – disse eu um pouco nervoso, assim que me recuperei – estou com um dor de cabeça e tive o sonho mais estranho que jamais pude pensar em ter.
      _ Você tava meio que tremendo. – respondeu Ethan.
      _ Foi estranho - disse Peter meio preocupado .
      _ E você se importa comigo tanto assim? – perguntei surpreso
    _ Não! – disse ele rindo - Só que você tá me devendo aquele dinheiro e ainda não me pagou, lembra?
     _ Chega de conversa. Vamos dar o fora daqui. As pessoas estão curiosas para saber o motivo de tanto barulho. E por algum motivo penso que estão nos seguindo.
      _ Por que pensa isso? – perguntei.
   _ Quando embarcamos em Bronderslev, uns cinco caras muito pálidos e estranhos embarcaram também e, enquanto você dormia, ele ficaram passando pela nossa cabine o tempo todo.
     _ Eu juro que quando ele tocou no vidro do nosso vagão o lugar fico congelado por um tempo, só com um toque. – disse Peter
    _ Mas não chegamos sequer a Skanderderbarg ainda, como vamos sair daqui? - perguntei.
       _ Vamos pular do trem!! – disse Peter empolgado.
     _ Ah tá que eu vou pular de um trem em movimento, à noite, com uma temperatura bem abaixo de zero. – disse Ethan.
       _ Prefere ficar aqui e lutar contra seres que nem ao menos sabemos o que é? – perguntei a ele.
      _ De acordo com o mapa, se pularmos agora vamos estar a uns três a quatro quilômetros de distância de um vilarejo élfico. Podemos passar por lá e depois continuar a viagem até a cidade mais próxima.
      _ Tá, não tem outra opção mesmo, melhor sairmos daqui antes de chegarmos à próxima estação ou antes deles nos atacarem.


     Juntamos nossas coisas e nos preparamos para sair do trem. Cada um de nós estava usando casacos grossos magicamente feitos. Era tarde da noite e quase todos estavam dormindo em vagões espalhados pelo trem, o que foi muita sorte. Chegamos ao ultimo vagão do trem, ninguém estava lá. Subimos em uma escada que estava no canto e ficamos em cima do trem.
     Andamos um pouco em cima do trem. Claro que isso era extremamente perigoso. Um passo em falso e poderíamos cair. Com o canto do olho vi uma coisa que me assustou. Parei de andar e fiquei olhando para os lados.
     O vento estava muito frio e a neve passava por nós formando uma barreira que não nos deixava ver muito distante. Mesmo assim consegui ver algumas formas vindo em nossa direção.
      _ Temos de sair daqui ou essas coisas, seja lá o que for, vão nos matar.
    _ Esperem até o trem começar a fazer a curva – Ethan estava quase gritando para ser ouvido, por causa do som do vento e do trem - assim ele irá diminuir a velocidade e poderemos ter uma chance de sobreviver.
     _ Uma chance? – disse eu assustado.
     _ É melhor que nada – disse Peter rindo.
     _ Se nós morrermos... – eu disse - eu te mato Ethan!!
   Assim que o trem começou a fazer a curva nós pulamos. Havia uma grossa camada de neve para absorver o impacto. Mas Ethan havia calculado mal. Ele não tinha levado em conta a inclinação do lugar onde pulamos. Assim, quando caímos, rolamos por algumas dezenas de metros.
      _ Você é louco – disse Peter tentando se equilibrar e se colocar de pé. Estava tonto por ter rolado tanto.
      _ Ora, alguém morreu? Não. Então obrigado – respondeu Ethan, enquanto pegava uma lanterna.
      _ Mas vamos morrer se continuarmos aqui, olhem. – eu estava apontando para as cinco figuras que estavam descendo pelo mesmo local que nós. Eram estranhas, meio azuis, grandes, maior que qualquer humano, mas não gigantescos. talvez tivesse de dois metros e meio a uns três metros.
      _ São gigantes de gelo, achei que seu pai havia acabado com eles. - disse Peter
      _ Parece que não com todos. - respondi.
      _ Não dá pra nos vencermos cinco de uma vez só. – disse Peter.
      _ Precisamos de ajuda.
      _ Será que se eu pedir ao meu pai ele nos ajuda? – perguntei a Ethan.
      _ Ele não pode intervir pessoalmente. – respondeu Peter.
      _ Mas e os servos dele? – perguntou Ethan.
      _ Por que tá perguntando isso?
    _ Por causa daquilo, olhem. – assim que olhamos para onde Ethan estava apontando, vimos dois corvos imensos mergulharem na direção dos gigantes.


     _ Hugin e Munin – disse eu – eu estava vendo eles no meu sonho.
     _ Isso significa que seu pai está tentando te ajudar. - disse Peter empolgado.
    Os corvos eram incrivelmente fortes e poderosos. Quando apareceram mataram dois dos gigantes facilmente. Os outros eles mataram sem muita dificuldade também. Enquanto um distraía, o outro simplesmente atacava, dando mergulhos e atravessando cada um deles. Um selo brilhou no meio deles. Assim que mataram o último, todos os outros sumiram virando pó. 
      Os corvos pousaram em uma árvore perto de nós e diminuíram de tamanho, passando de corvos gigantescos a corvos comuns. Os dois deram uma olhada em cada um de nós, soltaram um pio juntos, e saíram voando.


      _ Obrigado pai!! – disse eu.
      _ Bom vamos continuar, foi muita sorte eles estarem aqui, para nos ajudar.
      _ Sorte?!! SORTE?!! Cara, a gente levaria uma surra se eles não aparecessem. Foi muita sorte mesmo. – disse Ethan.
      _ Bom, ainda temos um longo caminho, vamos – disse eu.
     Andamos por vários minutos. Os casacos que nós trazíamos nos aquecia muito mais que qualquer outro, o que era muito importante naquele momento. Isso se dava porque tinham um pouco de poder em cada um deles. O único barulho que se ouvia era o do vento passando por entre as árvores, ocasionalmente um uivo de lobos e o pio de corujas. O pio era horrível. Fazia com que todos nos ficássemos arrepiados.
   Meia hora após termos pulado do trem, Ethan, que estava olhando o mapa, parou e começou a olhar em volta.
     _ Isso é estranho – disse ele bem baixo, mais para si do que para nós – devia ser aqui.
     _ Ethan, o que foi cara, você parece meio preocupado! – disse Peter.
     _ Olhem aqui no mapa, nós não deveríamos já ter chegado?
    Olhamos todo juntos no mapa. Era um mapa antigo, que parecia mostrar onde as pessoas estão em tempo real. Mostrava toda a Europa e, com um toque, ele aproximava a imagem para mostrar uma cidade ou outra coisa assim.
    _ Que legal! Eu não tinha visto isso antes – disse eu surpreso por estarmos vendo a nós mesmos, só que sendo apenas três pontinhos.
     _ Se concentra Thiago, dá uma olhada, - disse Ethan apontando para um local escuro no mapa –. Pelo que mostra o mapa, já devíamos ter chegado. Estamos praticamente em cima dele.
       _ Não seria o contrário? – disse uma voz atrás de nós.
      Antes mesmo de termos nos virado já estávamos com nossas armas em punho. Mas não ia adiantar nada. Já estávamos cercados por cerca de dez figuras encapuzadas, todos com arcos apontados para nós, preparados para atirarem. Eram elfos!

      _ Digam seus nomes e de onde são, ou serão mortos rapidamente.
     _ Meu nome é Thiago, filho do deus Odim, pai de todos. Este é Peter, filho do deus Tyr, e esse é Ethan, filho de Loki.
     _ E o que fazem aqui, um filho de Odim, Tyr e do odiado Loki? – ao ouvir isso Ethan soltou um grunhido baixo.
     _ Estamos investigando o desaparecimento de alguns humanos e de alguns campistas de Bronderslev. Nosso líder de acampamento, Ralgler, nos mandou falar com um homem, Grankov, que nos deu informações, e segundo eles, essas pessoas estavam indo para Berlin.
     _ E por que estão passando por aqui? Seria muito mais rápido terem ido de trem ou de avião. – disse o chefe do grupo
      _ Não gostamos muito de viajar de avião. E no trem, estávamos sendo seguidos por cinco gigantes de gelo e alguns esqueletos.
      _ Vocês os trouxeram para cá? – com um movimento do braço do líder, os arcos estavam novamente apontados para nós.
     _ Espera, calma. Hugin e Munin mataram eles.
     _ Ora ora, – com um novo movimento os arcos foram abaixados – parece que seu pai quer mesmo que você siga com sua missão.
     _ Então você irá nos ajudar ? – perguntou Peter?
     _ Sim. O que precisam? – perguntou o líder.
     _ De um local para dormir e de alguns suprimentos. Perdemos os nossos – respondi.
    _ Nesses tempos nos é proibido levarmos qualquer pessoa as nossas cidades. Mas nós temos acampamentos espalhados por toda parte.
     _ Mas no mapa que temos mostra que aqui é uma cidade. – disse Ethan.
     _ Não é uma cidade, e sim um acampamento.
     _ Mas onde está esse acampamento? É muito longe? – perguntei
     _ Vocês estão embaixo dele.
     Assim que olhamos, percebemos pela primeira vez que havia pequenas cabanas feitas de madeira sustentadas nas árvores.


     _ Isso não estava aí há alguns segundos – disse Peter olhando admirado
     _ É porque estávamos escondendo com um tipo de nevoa semelhante a dos gregos.
     _ Incrível. – disse Ethan.
   _ Vamos! Iremos mostrar a vocês como subirem lá. Arranjaremos seus suprimentos ate amanhã.
   Subir nas árvores não foi um problema tão grande assim. Os elfos tinham construído escadas que ficavam escondidas dentro das arvores e que só saiam quando os elfos “pediam”,e isso ajudou muito a subida.
     As cabanas eram muito maiores do que aparentavam ser por fora. Enquanto a olhávamos só externamente elas não pareciam ser maiores que uma barraca pequena, mas por dentro, eram do tamanho de um apartamento. Até aquário tinha.
      _ Mas o que? – disse Ethan assim que entrou – como isso é possível?
    _ Eu não sei, mas sei que saímos daquele vento – respondeu Peter – o líder deles me disse que vamos dormir nós três aqui.
     _ Será que vamos manter um vigia? – perguntei.
    _ Acho que não é necessário. Elfos podem ser meio enigmáticos as vezes, mas não são assassinos frios. – respondeu Peter – eles não vão nos matar dormindo, ou qualquer coisa do tipo.
     _ Ok. Então vamos dormir. Amanhã teremos um dia cheio!




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